Divórcio e Adolescência - Por que falar (Parte I)Prof. Tania Zagury Jan/07
Qualquer pai consciente deve ficar obviamente desnorteado e confuso ao tomar conhecimento de resultados totalmente contraditórios de estudos, ainda que muito sérios, que, com freqüência aparecem na mídia, sobre as mesmas questões: Por exemplo, faz algum tempo, a Revista Veja estampou em suas “Páginas Amarelas”, as conclusões da terapeuta americana Judith S. Wallerstein, em seu livro “A Inesperada Herança do Divórcio”, sobre o que chamou de “marcas indeléveis” que os filhos de pais separados carregariam vida afora, sugerindo inclusive que casais que vivem juntos, mas sem maiores conflitos, ainda que numa relação sem sal ou amor, devam continuar juntos, pelo bem dos filhos. Por outro lado, outros estudiosos proclamam com igual veemência e segurança, o mal que faz aos filhos conviverem com pais que já não se amam, não se admiram, e que simplesmente convivem por conservadorismo, covardia ou conveniência financeira, levando cada um sua própria vida, sem afeto nem amor. Isso sem contar os que vivem às turras, digladiando-se, humilhando-se mutuamente ou até agredindo-se fisicamente.
O que fazer então? Cada casal tem que pesar o que deseja realmente fazer de suas vidas. E tomar sua própria decisão, independente e madura. De qualquer forma, se a decisão for pela separação, algumas coisas podem e devem ser levadas em conta, de forma a minimizar possíveis conseqüências emocionais nos filhos, especialmente se forem adolescentes. De maneira geral se pensa que quando os pais de adolescentes se separam, os prejuízos são menores do que quando pequenos. Tanto assim, que muitos casais “esperam” os filhos crescerem para se separarem. Nem sempre, porém, filhos crescidos sofrem menos que os menores.
A adolescência é um período de grande insegurança, de mudanças profundas nas áreas afetiva, intelectual e física. A crise familiar agrega mais uma fonte de ansiedade e problemas ao quadro natural da idade. Embora já estejam menos dependentes dos pais, não se deve minimizar eventuais dificuldades emocionais. Mesmo quando aparentemente mostram-se fortes, colaboradores ou indiferentes, eles ainda precisam muito dos pais para orientação e apoio em relação às sérias questões que começam a se colocar em suas vidas, como namoro, escolha profissional, pressões dos grupos de amigos etc.
Por tudo isso, decisão tomada pela separação, algumas coisas podem e devem ser feitas, porque seguramente contribuirão para prevenir problemas maiores.
Lembrando que: 1) é na adolescência que nossos filhos estão formando conceitos sobre relacionamento com o sexo oposto; e que, portanto, a dissolução da família pode influenciá-los de forma negativa, abalando sua forma de ver e acreditar num relacionamento duradouro e 2) se o jovem adolescente já tende normalmente a adotar comportamentos ousados, a separação dos pais pode levá-los a comportamentos de risco ainda maiores - especialmente em relação ao uso e abuso de drogas, abandono ou queda de motivação pelos estudos, sexo precoce ou de risco etc.
Ainda assim, se existe possibilidade de dialogar e graças à capacidade para compreender problemas mais abstratos, pode-se atravessar essa difícil fase - do divórcio ou da separação – com um mínimo de perdas afetivas, caso pai e mãe estejam, de fato, empenhados nisso.
O ideal é que sejam os próprios pais os portadores da noticia, para que sejam, também com eles, que os filhos possam dirimir suas dúvidas e expressar seus medos, inseguranças e angústias em relação ao problema.