Crescendo com dinheiro IIProf. Tania Zagury
Jul/07

Em "Crescendo com Dinheiro I" discutimos alguns aspectos importantes da aprendizagem, relativos à administração da mesada. Abordaremos agora alguns outros pontos, que podem ajudar muito no desenvolvimento da percepção da criança em relação ao valor do dinheiro e dos diferentes produtos que se podem adquirir através o seu uso adequado.
Além da mesada, algumas atividades orientadas, desenvolvidas com prazer, em conjunto e sem caráter de “aula” podem ajudar bastante – sem considerar o fato de que pode ser muito divertido e aproximar pais e filhos, numa época em que quase nada mais se faz em conjunto.
A partir das sugestões que se seguem os leitores imaginarão, com bastante facilidade, outras mais. Será um jogo proveitoso, em termos de aprendizado de vida e de afetividade, mas, claro, depende de haver motivação e disposição por parte dos pais para reservarem algum tempo do seu dia para essa atividade. Os resultados, no entanto, podem realmente valer a pena:

Aos 4 anos - Aproveite um fim-de-semana chuvoso e proponha um jogo: escolha objetos diferentes existentes em casa (alimentos, enfeites, uma jóia, móveis, roupas, o computador etc.) e peça que a criança vá indicando aqueles que considera mais caros ou mais baratos. Em outro momento, a própria criança poderá escolher outros objetos, para continuar a avaliação do valor dos produtos. No início, pode-se utilizar a brincadeira "quente-frio”, para que a criança perceba se o valor está longe ou perto da realidade. A tarefa dos pais ou professores é ajudar a compreender o quanto a criança se aproximou ou afastou dos preços reais. 

Aos 5/6 anos -  Numa idade em que adoram ajudar nos trabalhos domésticos, leve seu filho à feira ou ao supermercado, sempre que puder. Deixe que ele participe, encarregando-o da compra de alguns produtos, do pagamento e de receber o troco no caixa, sob sua supervisão.
Ao chegarem a casa, arrumem juntos os produtos adquiridos, fazendo com que perceba prazos de validade, como estocar os alimentos etc. 

Aos 7 anos - Leve seu filho junto, quando for comprar roupas para ele; informe-o logo de início o quanto dispõem para gastar. Vá a um shopping-center e incentive-o a comparar preços de produtos semelhantes em várias lojas (um jeans, por exemplo). Ajude-o a considerar qualidade, beleza, utilidade, além do preço. Deixe que ele tome a decisão final sobre o que comprarão, dentro, evidentemente, do que foi inicialmente destinado àquele momento. 

Aos 12 anos - Inclua na mesada, um percentual de dinheiro destinado à compra de revistas, CDS, presentes para amigos e parentes. A inclusão paulatina de novos elementos na mesada vai aumentando a responsabilidade e ensinando a criança ou o jovem a administrar sua vida financeira dentro de uma margem pré-estabelecida. Ensine-o também a economizar uma parte do dinheiro todo mês, quando ele demonstrar interesse em adquirir um caro (uma bicicleta nova, por exemplo).
Aos 13 anos Estabeleça com seu filho um limite para o uso de horas na internet, para a conta do celular ou mesmo da linha telefônica fixa de que ele se utiliza em casa.  A quantia que exceder o combinado deverá ser paga por ele, com os recursos da mesada. 

A partir dos 14 anos -  Encarregue seu filho de algum trabalho bancário, tal como pagar contas, fazer um depósito em cheque ou dinheiro, etc. Quando julgar conveniente, transforme a mesada num depósito bancário mensal e abra uma "conta-júnior". Assim ele terá oportunidade de aprender a emitir cheques, administrar a conta, entender o que é crédito, débito, saldo bancário, juros, multas etc. Lembre-se, porém, de que se ele emitir cheques sem fundo, você será o responsável; portanto, é importante explicar direitinho como funciona o mundo financeiro e só oferecer essa opção quando perceber que seu filho já lida bem com a mesada em espécie.


Pode não parecer importante, mas saber administrar e compreender o valor do dinheiro, desde cedo, é uma forma essencial de ajudar nossos filhos a perceberem o valor de cada objeto e até mesmo, o quanto custa adquiri-los, do ponto de vista do trabalho. Poucos pais percebem que esta compreensão está diretamente ligada a uma prática, que pode e deve ser incentivada, desde cedo, através de atividades concretas, que serão a base da compreensão do sistema financeiro em que vivemos.

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