Masturbação na Infância e na AdolescênciaProf. Tania Zagury Jun/08
A atitude desejável de pais e educadores frente à masturbação deve ser idêntica à que se busca em qualquer tema ligado à sexualidade: natural, verdadeira e objetiva.
Embora ainda seja difícil para muitos, é preciso que caminhemos no sentido de derrubar mitos e culpas que ainda hoje cercam o ato. Já chega de tanta gente acreditando que masturbação aumenta espinha, faz nascer pêlo nas mãos, é pecado, vicia etc. O ideal é apresentá-la (e se possível vê-la) como ela é: uma necessidade natural, alívio para a tensão sexual não satisfeita, especialmente na adolescência, quando o nível hormonal é elevado.
Todos os homens e três quartos das mulheres se masturbam pelo menos em algum período da vida (muito embora a maioria não goste de admitir). Muitos o fazem por toda a vida.
Na infância também ocorre. Começa por volta dos quinze meses e, nessa fase, costuma vir acompanhada de um grande interesse em observar a própria genitália e a das pessoas próximas. Algumas crianças demonstram também interesse em observar os animais presentes no seu dia a dia. Trata-se simplesmente de uma atitude natural no ser humano: curiosidade e necessidade de aprender.
Quando não é bloqueada por medo ou culpa (em geral induzidos pelos adultos, que costumam reprimi-la), a masturbação contribui para o autoconhecimento pessoal, capacitando o indivíduo para o prazer sexual no futuro. Nas crianças só deve ser motivo de preocupação quando se torna freqüente demais ou se a afasta das atividades naturais da idade.
Ao se depararem com um filho se masturbando é aconselhável que os pais ajam com naturalidade. O que significa não fazer alarde, rir, disfarçar, fingir que não viu ou outras atitudes que denotem que a atividade é como algo anormal ou proibido. Também não é ideal fugir do assunto.
Com crianças pequenas o melhor a fazer é propor uma atividade de que ela goste; em geral, a masturbação ocorre quando a criança está inativa, diante da TV ou sem ter o que fazer. Portanto, sem brigar, classificar ou reprimir e, especialmente sem ansiedade, convide-a para uma partida de futebol, um jogo ou para fazerem juntos um lanche gostoso – enfim qualquer coisa que faça a criança se movimentar.
Na adolescência a masturbação vem acompanhada de fantasias com parceiros/as, o que constitui elemento essencial no desenvolvimento e definição final da identidade sexual.
Na idade adulta pode continuar a existir, especialmente quando a vida sexual é insatisfatória ou quando não há disponibilidade para a efetivação do ato sexual. Tem, portanto, nessa etapa da vida, função equilibradora.
Por outro lado, ainda que se saiba hoje que não é pecado nem faz mal à saúde, há alguns aspectos relacionados que precisam ser trabalhados pelos pais. Um dos mais importantes é a questão do respeito ao outro. Assim como não se deve reprimir também é preciso orientar os filhos no sentido de compreenderem a importância da privacidade em relação a algumas atividades, ainda que normais da vida. É preciso explicar e desenvolver o conceito de que alguns momentos são essencialmente individuais e que se deve sempre levar em consideração os sentimentos, a sensibilidade e o pudor das outras pessoas. Portanto, o que se pode e deve exigir de nossos filhos com relação à masturbação é discrição. É necessário que eles a vejam como algo íntimo, individual, pessoal. Não se pode deixá-los confundir liberdade e postura moderna com falta de pudor e desrespeito.
Também é bom que nossos filhos saibam que, embora natural, a masturbação não deve substituir o prazer do verdadeiro relacionamento de um par. Ou seja, se, mesmo tendo vida sexual ativa, a pessoa só se satisfaz ao se masturbar é preciso investigar o que está ocorrendo. Com certeza, no mínimo, está havendo pouco espaço para expor necessidades e preferências.
Em síntese, a masturbação não é um distúrbio do comportamento sexual, a não ser quando se torna compulsão (isto é, quando escapa ao controle voluntário) ou quando começa a substituir oportunidades de encontros e relacionamentos com outras pessoas.