Prevenindo contra a marginalizaçãoProf. Tania Zagury
Jul/08

Vivemos uma época de perplexidade. Diariamente a mídia expõe o envolvimento de jovens de classes altas em graves delitos, que vão de agressões até assassinatos e tráfico de drogas. Os pais têm agora novo um tormento: temer que um filho se envolva em atos semelhantes. Pesquisar as causas da violência é importante. Mais relevante, porem, é agir preventivamente para evitar tais tragédias.
Quando a sociedade parece ter abandonado os valores que nos humanizam, tornando-se cínica e oportunista, induzindo a todos de forma incansável ao consumismo e ao prazer a qualquer preço, a melhor estratégia que os pais podem adotar é conjugar forças com talvez a única instituição que se dedica verdadeiramente à formação das novas gerações - a escola. Porque quanto mais adversa é a situação social, maior a importância do trabalho conjunto entre ambas. Através um trabalho qualitativamente conjugado, família e escola podem afastar os jovens do desrespeito, da irresponsabilidade e da falta de objetivos.
E o trabalho começa pela escolha da escola, norteado antes de tudo, pela identificação de uma instituição cuja proposta educacional se coadune com a da família. Quanto mais próximas forem as metas, maiores as chances de sucesso. Infelizmente, se vê hoje com freqüência desentendimentos evitáveis que as colocam em campos opostos. E isso é ponto ganho para quem deseja manter a situação como está. Quando pais e mestres brigam, os maiores prejudicados são as crianças e jovens. Ao optar por uma escola com propósitos semelhantes aos seus, a confiança na instituição cresce significativamente, e os conflitos tendem a ser raros.
Não termina aí, porém, o trabalho dos pais; é aí que ele apenas começa, porque a prevenção à marginalidade exige um longo e paciente percurso, no qual os limites e o respeito às regras sociais e às autoridades têm papel relevante. Uma das tarefas da família nesse caminho é consolidar a idéia de que estudos não são negociáveis. Nem tanto pelo fato de haver obrigatoriedade legal, mas porque é preciso que nossos filhos estejam ocupados, positiva e criativamente ocupados. Respeito ao saber é projeto de vida certamente são a melhor herança que se pode legar aos jovens. Isso significa, nos primeiros anos de escolaridade, zelar pela organização e o cumprimento das tarefas e pelo apoio às propostas que a escola fizer. Inclui também estar atento à execução dessas propostas, que têm objetivos pedagógicos vários. Não é tarefa dos pais fazer ou corrigir o trabalho dos filhos, e sim supervisionar seu cumprimento de forma responsável; é perseguir a formação de hábitos de estudo e responsabilidade com a escola. Começando na infância uma relação de respeito à escola, quando adultos o farão no trabalho, nas relações afetivas e na sociedade.
Agindo assim, lá pela 4ª série, esse valor já estará instalado, na maioria dos casos. O importante então é estabelecer, de comum acordo com os filhos, horários de estudo, de lazer e de esportes. Fora isso, olhar a caderneta e cadernos com regularidade será suficiente para ficar a par de comunicações e do progresso dos filhos.
Também importantíssimo: não desautorizar professores/escola na presença dos filhos. Não que escola não erre nunca. Tomos erram, e também é normal discordar de algumas medidas. É preciso, porém, analisar: "qual a real importância dessa falha frente aos ganhos e progressos das crianças nessa escola?" Considerando o quão necessária é a confiança dos alunos nos seus professores, vale a pena esperar os sentimentos de proteção abrandarem sua ardente chama e a tendência de correr e "cobrar medidas imediatas" se aplacar, para só então procurar a escola. Se ela for de qualidade, estará de braços abertos para receber e ouvir os pais. Porque num momento em que há tantos estímulos induzindo nossos filhos às más escolhas, precisamos agir de forma a que a critica, mesmo as justas - não levem os alunos a contestar a escola. É fácil uma criança concluir que, se nem os pais confiam nos professores, eles também não devem confiar e – pior – podem desautorizar. Faça observações de forma construtiva – vá à escola e as apresente, mas sem prejulgamentos.
Enquanto brigamos com nossa melhor aliada, "o inimigo" aproveita o espaço, cooptando os jovens para seus objetivos - vencer sem esforço ou trabalho, fazer só o que dá vontade e prazer, consumir sempre e mais (aí podem entrar as drogas) etc. Dividir é estratégia muito utilizada para vencer. Não deixemos que eles se fortaleçam apoiados na tendência à superproteção e à insegurança que os pais sentem hoje.
Podemos ganhar essa guerra sim! Não, porém, se gastarmos energia combatendo a última instituição que está - como nós, pais - verdadeiramente ao lado das novas gerações. 



voltar