Empreendedorismo em educaçãoProf. Tania Zagury Mai/09
O que significa empreender, de que tanto se fala atualmente? Vejamos o que nos diz Houaiss:
“Empreendimento é o ato de uma pessoa que assume uma tarefa ou responsabilidade. Empreender é por em execução, decidir realizar uma tarefa difícil e trabalhosa”.
Não parece difícil deduzir que o Empreendedorismo em Educação implica em dois aspectos: a) desejar, de fato, assumir a responsabilidade que o ato educativo exige; e b) estar ciente de que se trata de uma tarefa nada fácil, que exige crescentes esforços, tendo em vista o incremento tecnológico e científico, que leva à necessidade de mudanças sucessivas em termos de currículo e prática educacionais, sempre que a qualidade dos resultados se tornar defasada ou inadequada à realidade social. O que nos remete à questão da escola de qualidade, sobre a qual alguns itens merecem especial destaque:
• Independente da linha pedagógica, o primeiro e inquestionável requisito da escola “de qualidade” é que todos os alunos, ao final da 5ª série do Ensino Fundamental, devem ter domínio da competência de leitura, escrita e compreensão de textos, além das quatro operações aritméticas básicas. Ao final da 9ª deverão interpretar e analisar dados da realidade de forma compreensiva, além de conhecer a realidade política e social do país e do mundo, as bases das ciências, da história e da geografia, de forma a que, no mínimo, possam prosseguir seus estudos sem estarem fadados ao insucesso ou à permanência nos estratos sociais menos favorecidos economicamente. Todo empreendedor em Educação deve perseguir esse objetivo como elemento motivador básico.
• Em termos metodológicos, as aulas não podem ser meramente expositivas. Basta de professor falando, falando o tempo todo. Em algumas até pode; na maioria, porém, não;
• Grande parte do tempo, os alunos têm que estar fazendo alguma coisa, isto é, pesquisando, trocando idéias, visitando a biblioteca etc. Em suma: ativos;
• As tarefas e trabalhos propostos devem ser estimulantes e ligados diretamente ao que esteja ocorrendo naquele dado momento, na sociedade local ou no mundo;
• Na escola de qualidade, os alunos estudam. Têm o dever de estudar como contrapartida do direito ao saber. Nada de estudar “quando e se quiser”. Todos precisam ter em mente o que se deseja alcançar - equipe e alunado. Isso implica, porém, não ser abandonado pela instituição quando se apresente alguma dificuldade, seja em que matéria for. Mecanismos de acompanhamento e recuperação devem fazer parte do dia-a-dia das escolas de qualidade. Ter o direito de errar ou não entender, derivando em imediato direito de receber apoio para superar essas dificuldades. Isso é vital em uma escola empreendedora.
• Ao mesmo tempo, a escola de qualidade projeta e desenvolve atividades não restritas às aprendizagens cognitivas, e, na mesma proporção, enseja momentos que propiciam formar indivíduos com enfoque humanista, cidadãos que tratam a todos com respeito, independente de diferenças individuais.
• Uma escola empreendedora pratica a inclusão – quer dizer, não exclui nenhum de seus alunos. Dificuldades são naturalmente aceitas, mas os alunos são instigados a superá-las, sejam dificuldades físicas, intelectuais, emocionais ou culturais.
• Através desses objetivos é que a escola capacita seus alunos a serem críticos e antenados com os problemas da atualidade e aptos a propor soluções para uma sociedade mais digna e justa.
Diante do exposto, resta indagar: Em quantas décadas estamos defasados desses simples pressupostos? Empreender em Educação é sair da vergonhosa “lanterninha” dos rankings educacionais em que nos encontramos. É correr, voar se preciso, de forma decidida e responsável, buscando sanar os prejuízos acumulados.