O papel da família na formação de novos leitoresProf. Tania Zagury Nov/09
É bastante freqüente pais me perguntarem o que podem fazer para que os filhos gostem de ler. É de fato um grande desafio nos dias de hoje, em que as novas gerações já nascem sob o signo e a influência high-tech. A começar no nascimento quando papais orgulhosos adentram as salas de parto, equipados de amor, muita ansiedade e... a indefectível filmadora, que, anos depois, terá a surpreendente missão de fazer com que se presencie o próprio nascimento! Impensável há pouco, hoje é parte quase tão importante quanto a presença da mamãe que dará a luz! Caricaturas à parte, verdade é que nossas crianças começam já daí a utilizar as multimídias que se agregam à rotina diária. São babás eletrônicas, jogos eletrônicos e tvs por toda a casa, computadores, gravadores, DVDs etc, que acompanham nossos filhotes desde os primeiros passos. Em casas abastadas (e chiquérrimas!) é presença habitual também sofisticados bares, com o melhor das bebidas estrangeiras. Percorrendo páginas de revistas de decoração que encantam e se tornam sonhos de consumo da maioria, procura-se – mas só se encontra com dificuldade – o local onde abrigar livros...
Estantes sim encontramos - que as há em escritórios, adornadas, porém com belíssimas obras do design moderno, aparelhagem de som sofisticadas. Mas onde estão os livros?
Para que nossos filhos gostem de ler, há uma premissa básica: é preciso que nós a-me-mos ler. Que nossa casa tenha livros, de assuntos os mais diversos, em estantes abarrotadas – nem muito arrumadas; pelos cantos das salas, livros esquecidos, marcados pelo amor do leitor enfeitiçado... O que mais? O mais é incluir nos nossos programas de domingo além da rotina de passear, ir à praia ou ao shopping, aquela parada compulsiva e irrefreável na livraria – só para ver e se apaixonar pelos novos lançamentos... À noitinha, família reunida, papai e mamãe folheando livros com as crianças (televisão desligada!!??) – outra marca que deixaremos na alma de nossos filhos. Lembrança querida, muitos anos depois. E, antes de dormir, aconchegados ao peito do papai ou da mamãe, a hora mágica em que, pouco ao pouco, ao som de uma história contada com emoção, se vai adormecendo entre o sonho e a fantasia...
É assim, ano após ano, que com perseverança, fazendo do encanto de ler uma realidade palpável, que se transforma uma criança num amante fiel da leitura.