Por que tantos pais matriculam os filhos numa escola e depois ficam insatisfeitos? Talvez porque seja impossível nosso coração ficar totalmente tranquilo longe dos filhos. Mas, se totalmente tranquilo é impossível, por outro lado é bem provável que se consiga ficar sossegado o bastante para ter paz e trabalhar com um mínimo de harmonia interna enquanto as crianças estão no colégio.
É até engraçado: você escolhe com o maior cuidado, procura, olha de novo, torna a procurar, troca ideias com a melhor amiga, com a mãe, a irmã; visita as escolas que tem em mente várias outras vezes, e, afinal, toma a decisão. Ufa! Até que enfim! Parece que tudo vai se acalmar.
Pouco tempo depois, porém, você se surpreende de novo inseguro, achando que errou na escolha e se pega reclamando de um monte de coisas. O menino mal completou três semanas de frequência à nova escola e você já cheio de medos e insatisfações... Por quê? Talvez porque a escolha foi feita tomando por base padrões inadequados para uma boa opção. Muitos pais decidem em que escola colocar o filho tomando por base, por exemplo, o conselho de um amigo próximo e muito querido, cujos filhos estão a-do-ran-do o colégio! Será que o que o amigo leva em consideração em relação à educação é exatamente igual ao que você prioriza? Outros decidem tomando por base o prédio lindíssimo e cheio de equipamentos tecnológicos caros; outros ainda, pela proximidade com a casa. São elementos importantes? São. Mas devem ser considerados como prioritários? Garantem um bom ensino? Como saber o que realmente importa?
Para tomar uma decisão com segurança é preciso, em primeiro lugar, definir para si próprio o que se quer da escola. Cada família tem suas próprias perspectivas e expectativas em relação a isso. Portanto, de nada adianta usar a escolha do vizinho ou do melhor amigo. Clarificar os seus próprios objetivos é o primeiro e fundamental passo, porque ajuda a ter em mente o que levar em conta e em que proporção tais fatores devem ser considerados.
Enumero a seguir os fatores que julgo essenciais - e que devem, portanto, ser considerados para uma escolha consciente. Cada um, no entanto, irá utilizá-los de acordo com suas próprias metas:
l) Linha pedagógica adotada (quanto mais harmônica com o que os pais fazem em casa, melhor);
2) Composição e formação das equipes docente e pedagógica (quanto maior o número de profissionais formalmente habilitados, melhor) ;
3) Atitude em relação à disciplina e regras de funcionamento (quanto mais próxima ao que se faz em casa, melhor);
4) Clima ou ambiente perceptível (observar como as crianças se comportam, na maior parte do tempo, durante suas visitas à escola ajuda a “sentir o clima”);
5) Qualidade e tipo de instalações (observar limpeza, adequação dos equipamentos à idade dos alunos, quesitos de segurança visíveis, etc.);
6) Localização (quanto mais próxima de casa melhor);
7) Horário de funcionamento (verificar, por exemplo, o nível de flexibilidade da escola nesse quesito e se há estrutura montada no caso de você precisar eventualmente se atrasar devido ao trabalho ou outras situações da vida).
Cada um desses itens foi elencado obedecendo a uma hierarquia que vai do mais importante (linha pedagógica) ao menos importante (horário de funcionamento).
O ideal seria encontrar uma instituição que satisfizesse a todos os itens simultânea e harmoniosamente. No entanto, como nem sempre isso é possível, se tiver que abrir mão de um ou alguns deles, procure priorizar os que encabeçam a relação e relativizar a importância dos últimos. Se tiver que desistir de algum, escolha o último e assim sucessivamente.
Visite as escolas que tem em mente quantas vezes sentir necessidade. Não se acanhe. Marque e vá. Observe tudo que desejar e pergunte também tudo que quer saber. Caso se lembre de alguma coisa depois, anote para tirar sua dúvida numa próxima visita. Decida com base nessas informações. Lembre-se: a escola não vai mudar para atender o que cada pai ou mãe deseja. Portanto, só decida quando se sentir seguro e não deixe para fazer sua escolha em cima da hora.
Sem pressa as decisões são quase sempre melhores.
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