O GHB, ácido gamaidroxibutirato, é uma das novas substâncias usadas em baladas, boates e nas chamadas festas “rave”. Atende também pelos apelidos de “líquido X” e “êxtase líquido”. Ao que dizem, parece ser fácil de adquirir em festas, boates e pela Internet. Inicialmente usado como anestésico, a seguir por fisiculturistas mal-orientados como substituto aos esteróides, passou a fazer parte das drogas quimicamente manipuladas e utilizadas na noite.
De que forma migrou para boates e festas, não se sabe. O que importa aqui é alertar famílias e jovens para o potencial de conseqüências funestas que traz. É claro que os jovens não vão “botar fé” no que lhes dizem os pais, especialmente em tempos em que inconseqüência e falta de responsabilidade com a própria vida lhes são erroneamente apresentados como sinônimos de autodeterminação e independência. Ainda assim, nós, adultos, temos o dever de lhes dar a oportunidade de saber o que lhes podem oferecer numa aparentemente inocente festinha ou ida à boate. E, seja como for, é sempre bom lembrar que é minoria que usa essas e outras substâncias.
O GHB, como é utilizado nas noitadas (em dose subanestésica), age elevando o nível de dopamina, provocando ilusório sentimento de felicidade e incrementando o estado de alerta. Devido a esses efeitos tem sido comparado ao ecstasy (MDMA). Quem usa, não sabe nem percebe, mas é droga altamente potente, podendo causar graves intoxicações e morte súbita. É mais usado sob forma líquida (embora exista em pó e comprimidos), é incolor, inodoro e levemente salgado. Costuma ser misturado a bebidas alcoólicas, o que aumenta o perigo - o etanol (álcool) potencializa os efeitos depressores do GHB. O resultado da ingestão se faz sentir cerca de 10 a 30 minutos depois, durando de 2 a 5 horas. Como todo anestésico, seu uso seguro relaciona-se diretamente com cálculos exatos de peso, metabolismo, pressão sanguínea e sensibilidade. Em outras palavras: é difícil prever a reação orgânica de cada um ao utilizar doses que, em outras pessoas, não trouxeram conseqüências adversas. Aliás, esse é o argumento mais usado (e totalmente anticientífico): quem usou uma ou duas vezes e não morreu nem foi parar no hospital, tende a apresentá-lo aos colegas como “inócuo e maneiro”, com a mesma irresponsabilidade com que classificam quem combate seu uso de “caretas e antiquados”, induzindo desavisados a aventurarem-se por caminhos por vezes sem retorno. Muitos aderem por insegurança, medo de rejeição ou necessidade de aceitação.
O que os usuários relatam sentir basicamente é euforia, diminuição da inibição e agitação - sensações que, em princípio, parecem positivas e inofensivas. Como, no entanto, a diferença entre o que é uma dose inofensiva e outra adversa varia de individuo para indivíduo, fica quase impossível prever o que acontecerá. Mesmo quem usou algumas vezes e não passou mal, pode, em outra ocasião, ter problemas sérios.
Os sintomas de intoxicação pelo GHB são: náusea, vômito, incontinência (perda de controle dos esfíncteres, com emissão involuntária de fezes e urina), distúrbios visuais, ataxia severa (incapacidade de coordenar os movimentos musculares voluntários), bradicardia (redução dos batimentos cardíacos para 60 por minuto ou menos), hipotensão (queda de pressão arterial), hipotermia (diminuição da temperatura do corpo), depressão respiratória, delírio, baixo nível de consciência ou inconsciência.
As consequências relatadas variam entre vertigens, perda de visão periférica, sedação, perda temporária de memória, inconsciência e amnésia – uma ou várias delas. Como é uma droga ainda pouco conhecida, médicos e cientistas não podem precisar os efeitos do uso a médio e longo prazo. Afinal, os primeiros dados a respeito datam dos anos 1990. EUA e Europa, no entanto, já registram mortes e internações de jovens inconscientes e com sinais de toxicidade.
Além de todo esse horror, o GHB parece estar relacionado também a estupros e outras violências sexuais, cometidas sob seu efeito. Quer dizer, além do alto risco à própria saúde e vida, o usuário coloca em jogo a integridade até de quem convive com eles.
O que educadores em geral, pais e profissionais da saúde podem fazer nesse contexto é conscientizar os jovens sobre os riscos já conhecidos. À família, além disso, cabe redobrar cuidados, atenção e orientação aos filhos. E também observar reações, cuidar de saber onde estão e com quem, verificar como retornam a casa após uma noitada, enfim, ficar de olhos abertos.
Aprender o máximo possível sobre o tema é importante. Evite, porém, usar qualquer informação que lhe chegue às mãos. Pode-se, dessa forma, acabar paranóico e perder credibilidade junto aos filhos. Busque por si mesmo, mas use fontes confiáveis. Sites de busca na internet, só para se ter uma idéia, apresentam mais de um milhão de links ao se digitar “GHB drugs” - em menos de um minuto de pesquisa. Portanto, procure verificar a origem do que vai ler; aconselho dar preferência a órgãos ligados a ministérios ou secretarias de educação e saúde, universidades e centros de pesquisa conhecidos - que não farão estardalhaço nem apologia.
O saber é a arma que possibilita abordar o tema com seriedade e segurança. É fundamental também tratar dos aspectos éticos da questão: ilegalidade do uso, possibilidade de ferir outras pessoas e causar danos irremediáveis à vida e à própria saúde, entre outros.
A sabedoria popular vale também aqui: prevenir é sempre melhor que remediar.